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  • Dra. AmandaSouza Lima posted an update 2 weeks, 2 days ago

    o que é entrópion em cães — Entrópion é uma condição em que a borda das pálpebras se vira para dentro, fazendo com que os cílios e a pele esfreguem contra a córnea (a parte transparente e externa do olho), resultando em irritação, dor e risco de úlceras. Entender o mecanismo, o diagnóstico e as opções de tratamento é essencial para proteger a visão e o conforto do seu animal de estimação.

    Segue uma explicação detalhada, prática e baseada em conceitos consagrados pela literatura veterinária e orientações do CFMV, CRMV‑SP e ABMVP, que ajudará donos e tutores a reconhecer sinais, saber o que ocorrerá na consulta oftalmológica e decidir quando agir rápido.

    Transição: antes de explicar causas e diagnóstico, é útil entender como o entrópion altera a função ocular e o que o dono normalmente observa em casa.

    Como o entrópion afeta o olho e a vida do animal

    Porque a borda palpebral voltada para dentro é perigosa

    Quando a margem palpebral se vira para dentro, os cílios e a pele entram em contato contínuo com a córnea. Esse contato causa abrasão mecânica, promove inflamação crônica e facilita infecções secundárias. A consequência pode ser desde sinais leves — lacrimejamento e coceira — até úlcera de córnea profunda, perfuração e perda visual.

    O que isto significa para a rotina do seu cão

    Sintomas comuns que influenciam a qualidade de vida: epífora (excesso de lágrimas; epífora é o acúmulo anormal de lágrimas na face), piscamento excessivo, fechar parcial do olho, sensibilidade à luz e comportamento de esfregar o focinho no chão ou nas patas. Animais com dor ocular podem reduzir atividade, evitar brincadeiras com impacto e perder apetite em casos severos.

    Diferença entre desconforto agudo e dano crônico

    Sinais agudos — dor intensa, olho vermelho, secreção purulenta, blefaroespasmo (fechar forte das pálpebras): requerem avaliação imediata. Danos crônicos — hiperpigmentação da pálpebra, vascularização corneana e ceratopatia seca — levam a visão prejudicada aos poucos. O objetivo do tratamento é interromper a lesão antes que se torne irreversível.

    Transição: saiba agora por que o entrópion aparece — entender as causas ajuda a decidir entre tratamento temporário e cirurgia definitiva.

    Causas e fatores predisponentes

    Conformação anatômica e raças

    Em muitos cães o entrópion tem origem em conformação facial: raças com excesso de pele ou com cabeça larga podem ter as pálpebras mal apoiadas. Em particular, os braquicefálicos (raças de focinho curto; braquicefálicos são cães como Pug, Bulldog e Shih Tzu) apresentam maior predisposição por ter dobras faciais e olhos mais proeminentes.

    Desenvolvimento e crescimento

    Puppies podem apresentar entrópion que melhora com o crescimento: pele facial e músculos mudam com a maturação, reduzindo a rotação palpebral. Por isso a avaliação de idade e crescimento é crítica ao planejar cirurgia — em filhotes muitas vezes recomenda‑se manejo conservador temporário até avaliação definitiva.

    Secundário a outra doença ocular

    Processos inflamatórios ou espasmo palpebral (quando o músculo fecha a pálpebra por dor) podem puxar a margem palpebral para dentro — chamado de entrópion espasmódico. Úlceras corneanas, conjuntivite crônica e cicatrizes também podem modificar a posição palpebral.

    Trauma e cicatrização

    Cicatrizes na margem palpebral, após cortes ou queimaduras, podem distorcer a anatomia e gerar entrópion localizado. Identificar história de trauma é parte da anamnese na consulta.

    Transição: o próximo passo é reconhecer sinais e fazer exames que confirmem a gravidade da lesão ocular — aqui está o que espera na clínica oftalmológica.

    Como o oftalmologista confirma o diagnóstico

    Inspeção clínica e história

    A anamnese detalhada deve incluir início e evolução dos sinais, raça, idade e qualquer trauma. O exame externo avalia as pálpebras em repouso e durante retração; o sinal clássico é a margem palpebral virada para dentro, com cílios tocando a córnea.

    Testes oftalmológicos de primeira linha

    • Teste de fluoresceína — corante que evidencia lesões na córnea: usado para detectar úlceras e localizar a extensão da lesão.
    • Teste de Schirmer — mede a produção lacrimal; é um papel absorvente colocado no saco conjuntival por 60 segundos. Define se há seca ocular que agrava a lesão.
    • Tonometria — mede a pressão intraocular (a pressão interna do olho). A pressão intraocular anormal pode indicar glaucoma ou inflamação; tonometria é feita com aparelhos portáteis.

    Definição rápida: tonometria é a medição da pressão dentro do olho; valores elevados sugerem risco de lesão do nervo óptico.

    Exames complementares

    Quando indicado, o especialista pode realizar gonioscopia (exame do ângulo de drenagem do humor aquoso — o fluido do olho; gonioscopia permite avaliar risco de glaucoma), biomicroscopia com lâmpada de fenda (luz focal que detalha córnea, conjuntiva e cristalino), e fundos de olho pós‑midríase para excluir doenças retinais como atrofia progressiva da retina (mudança degenerativa da retina que pode causar perda progressiva da visão).

    Definição: gonioscopia é um exame que visualiza o ângulo entre a íris e a córnea, onde o fluido intraocular drena; ajuda a diagnosticar problemas de pressão ocular. Atrofia progressiva da retina é uma doença hereditária que leva à degeneração das células da retina com perda gradual de visão.

    Documentação e fotografia

    Fotografias antes do tratamento documentam o problema para planos cirúrgicos e acompanhamento. Medidas da pálpebra e testes são registrados para avaliar resposta ao tratamento.

    Transição: depois de confirmar o entrópion, o veterinário discutirá opções de manejo — desde medidas médicas imediatas até cirurgia reconstrutiva.

    Tratamento médico inicial: aliviar a dor e proteger a córnea

    Objetivos imediatos

    Aliviar dor, controlar inflamação, prevenir infecção bacteriana e proteger a córnea para evitar úlceras mais profundas. Essas medidas compram tempo até decidir a correção definitiva.

    Lubrificação e proteção

    Uso de lágrimas artificiais e pomadas oclusivas para manter a superfície ocular úmida e reduzir o atrito. Em casos de úlcera, aplicações frequentes são necessárias. Colar elisabetano pode impedir que o animal arranhe o olho.

    Antibióticos e anti‑inflamatórios

    Se há risco ou sinais de infecção, são prescritos colírios antibióticos de amplo espectro. Anti‑inflamatórios tópicos (corticosteroides) são contraindicados em úlceras por retardarem a cicatrização e aumentar risco de perfuração; antiinflamatórios não esteroidais ou analgésicos sistêmicos podem ser usados conforme indicação. A escolha deve seguir orientação do especialista, respeitando protocolos do CRMV‑SP e do CFMV.

    Medidas temporárias de correção

    Em filhotes ou casos espasmódicos, tacking sutures (pontos temporários) podem virar a margem palpebral para fora enquanto a anatomia muda com o crescimento. Esses pontos são simples, temporários e evitam cirurgia maior em animais muito jovens.

    Transição: quando a correção temporária não é suficiente, a cirurgia é a solução definitiva — aqui estão as técnicas e o que cada uma oferece.

    Opções cirúrgicas: objetivos, técnicas e resultados esperados

    Princípio da cirurgia

    O objetivo é reposicionar definitivamente a margem palpebral para restaurar um contato normal entre pálpebras e córnea, eliminando a fricção. A escolha técnica depende da localização (principalmente pálpebra superior, inferior ou canto medial/lateral), da extensão do entrópion e da conformação facial.

    Técnicas cirúrgicas comuns

    • Hotz‑Celsus — remoção de elipse de pele externa adjacente à margem palpebral para rotação e tensão da pálpebra; é a técnica mais frequentemente usada. Resultado: reposicionamento estável em muitas espécies e raças.
    • Canthoplastia lateral (ou lateral tarsal strip) — encurta e reforça o canto lateral em casos de laxidade ou eversão lateral; útil em animais idosos com flacidez palpebral.
    • Wedge resection (ressecção em cunha) — retirada de segmento triangular quando há deformidade localizada; indicada para pequenas áreas de entrópion.
    • Tarsorrafia temporária — sutura parcial das pálpebras para proteger córnea em úlceras graves; é uma medida protetora, não correção definitiva.

    Definição: facoemulsificação é técnica usada para remoção de catarata (operação do cristalino, o “lente” interna do olho) — não é tratamento para entrópion, mas frequentemente mencionada em oftalmologia veterinária em casos com catarata concomitante.

    Planejamento cirúrgico e avaliação pré‑operatória

    Antes da cirurgia, exames como tonometria para verificar pressão intraocular, teste de Schirmer e avaliação do fundo de olho garantem que não há contraindicações sistêmicas e que o olho é viável para cirurgia. Em animais idosos ou braquicefálicos, avaliação anestésica completa é necessária.

    Anestesia e analgesia

    Procedimentos são realizados sob sedação e anestesia geral. Analgesia perioperatória é mandatório: bloqueios locais da pálpebra e analgésicos sistêmicos reduzem dor e facilitam recuperação. Em braquicefálicos, cuidados respiratórios especiais são executados.

    Resultados e expectativas

    A taxa de sucesso é alta quando a técnica é adequada e a cicatrização é favorável. Recuperação inclui redução imediata da lacrimejamento e irritação; cicatrizes externas são discretas. Em alguns casos, revisão cirúrgica pode ser necessária se houver excesso de correção ou recidiva.

    Transição: saiba os riscos e complicações possíveis para poder reconhecer sinais de alerta após a cirurgia.

    Riscos, complicações e prognóstico

    Complicações imediatas

    Edema (inchaço), sangramento superficial e desconforto nos primeiros dias são esperados. Sinais de complicação incluem secreção purulenta, aumento da vermelhidão, fechamento do olho por dor intensa ou perda súbita de visão — nesses casos contate o oftalmologista.

    Complicações tardias

    Recidiva do entrópion, cicatriz excessiva alterando a estética ou função, triquíase (cílios direcionados à córnea) e alterações pigmentares na margem palpebral podem ocorrer. Raramente, cirurgia mal executada pode causar eversão (borda voltada para fora) ou assimetria.

    Impacto sobre a córnea e visão

    Entrópion não tratado pode evoluir para úlceras corneanas profundas, infecções resistentes, ceratite crônica e, em casos extremos, perfuração corneana seguido de perda visual. Se a córnea cicatrizar com opacidade extensa, a visão ficará comprometida mesmo após correção palpebral.

    Prognóstico

    Com correção adequada, a maioria dos cães recupera conforto ocular e mantém ou retoma visão funcional. O prognóstico é melhor quando o problema é tratado antes de complicações severas. Decisões de manejo seguem práticas recomendadas pelo CFMV e normas locais de conduta do CRMV‑SP.

    Transição: além do tratamento, há medidas preventivas e orientações para reduzir risco de recorrência ou de problemas em outros animais da mesma linhagem.

    Prevenção, manejo a longo prazo e aconselhamento para criadores

    Seleção reprodutiva e conselhos genéticos

    Em raças com predisposição hereditária, é essencial que criadores escolham cães com pálpebras e faces bem conformadas. A exclusão de animais com entrópion da reprodução reduz a incidência na população. O aconselhamento genético deve ser baseado em avaliações oftalmológicas documentadas e práticas recomendadas por sociedades veterinárias.

    Cuidados domiciliares

    Manter olhos limpos com solução fisiológica, evitar que o cão esfregue a área com patas e aplicar lágrimas artificiais quando indicado. veterinária oftalmologista sinais como aumento do lacrimejamento, piscar excessivo ou opacidade corneana e buscar atendimento imediato se aparecerem sinais agudos.

    Visitas de controle

    Revisões pós‑operatórias geralmente ocorrem em 7–14 dias, e depois conforme necessidade. Avaliações periódicas em cães com conformação de risco são recomendadas para detectar alterações precoces.

    Transição: a seguir, perguntas frequentes com respostas objetivas para orientar decisões rápidas do tutor.

    Perguntas frequentes (o que esperar e quando agir)

    Meu cão tem secreção e olhos “virados para dentro”. Devo ir ao veterinário hoje?

    Se houver lacrimejamento excessivo, vermelhidão intensa, blefaroespasmo ou secreção espessa, procurar atendimento urgente é indicado. Esses sinais apontam para irritação significativa ou possível úlcera que requer tratamento imediato.

    Se for filhote, é melhor esperar ou operar agora?

    Em filhotes, muitos casos melhoram com o crescimento, portanto o manejo conservador (técnicas temporárias como tacking sutures) é frequentemente preferido até a maturidade. Operação definitiva costuma ser indicada após o desenvolvimento facial, a menos que haja risco de lesão corneana séria.

    Quanto tempo leva a recuperação pós‑cirúrgica?

    Recuperação inicial: 7–14 dias para redução do edema e desconforto. Cicatrização completa em semanas; retorno às atividades normais após liberação veterinária. O uso de medicação tópica e colar protetor é comum nas primeiras semanas.

    A cirurgia é dolorosa e tem risco de perda de visão?

    Procedimentos são realizados com anestesia e analgesia adequada. O risco de perda de visão por causa da própria cirurgia é baixo; o maior risco de perda visual é a demora no tratamento, que permite danos corneanos progressivos.

    Transição: encerre com um resumo conciso e passos práticos a seguir se você suspeita que seu animal tem entrópion.

    Resumo e passos imediatos para o tutor

    Resumo rápido

    Entrópion é a volta da margem palpebral para dentro, que provoca atrito com a córnea, dor e risco de úlceras. Diagnóstico é feito por exame clínico oftalmológico com apoio de teste de Schirmer, fluoresceína e tonometria. Tratamento inicial visa proteger a córnea; correção definitiva é cirúrgica na maioria dos casos. As condutas seguem protocolos reconhecidos por CFMV, CRMV‑SP e literatura especializada.

    Passos práticos agora

    • Se houver dor, lacrimejamento intenso, secreção purulenta ou qualquer mudança súbita na visão: procurar atendimento oftalmológico veterinário imediatamente.
    • Mantenha o olho limpo com soro fisiológico e impeça que o animal coce com um colar elisabetano até avaliação.
    • Não use corticosteroides tópicos sem avaliação; podem piorar úlceras.
    • Para filhotes, consulte o oftalmologista sobre manejo temporário e reavaliação durante o crescimento.
    • Se você é criador: documente casos e evite reprodução de animais afetados; considere avaliação genética e orientação de conselhos locais e sociedades veterinárias.

    Contato com um oftalmologista veterinário deve ser prioridade quando os sinais indicam risco de lesão corneana. A intervenção precoce preserva conforto e visão: observar, proteger, e encaminhar ao especialista é o melhor caminho para resultado favorável.